Shows realizados antes da pandemia e no São João do ano passado inda não foram pagos

Imagine realizar um trabalho e não ser pago por ele. Pior, ter a promessa de que vai receber o salário e aguardar anos. Ainda assim, não receber o que lhe é devido. Essa é a realidade de diversos músicos baianos, de diferentes partes do estado, que denunciam o atraso do pagamento de cachês de shows contratados através do Governo do Estado. Os acordos foram firmados entre os artistas e a Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur), que herdou os calotes da extinta Bahiatursa.
Nesta semana, o cantor Genàrd Melo fez o que muitos têm vontade, mas não possuem coragem: utilizou suas redes sociais para denunciar que trabalhou e não recebeu. Só para ele, o governo estadual deve cerca de R$ 200 mil – valor referente a cachês de seis shows realizados em Salvador e no interior do estado. A apresentação mais recente aconteceu no São João do ano passado, no Pelourinho. Mas, há apresentações de antes da pandemia, de 2018 e 2019, que não foram pagas.
A denúncia não foi apenas um desabafo individual. A postagem provocou uma avalanche de comentários de outros artistas que enfrentam a mesma situação. No caso de Genàrd, os impactos do calote são grandes e quase o fizeram desistir de ter o sonho da música como forma de ganhar a vida. Ele tomou um empréstimo de R$ 50 mil para investir nos shows que seriam pagos pela Sufotur, arcou com viagens e contratou músicos. Mas, ficou no prejuízo.
“Nós, que vivemos de música, passamos por dificuldades se não formos pagos. No meu caso, que sou formado em gastronomia, comecei a vender comida no Ifood para sobreviver”, conta. “Nós acreditamos que é possível prosperar com a música, mas situações como essas são horríveis. Eu peguei um empréstimo, fiquei com uma dívida de R$ 50 mil e entrei em depressão. Hoje, estou recebendo relatos de pessoas na mesma situação”, lamenta Genàrd Melo.
Em 2021, o cantor teve uma reunião com integrantes da antiga Bahiatursa. “Eles se comprometeram a pagar os shows feitos antes da pandemia, mas isso até hoje não aconteceu. Segundo Genàrd, um levantamento da dívida foi feito a pedido do então superintendente, Diogo Medrado, que deixou a Sufotur em agosto do ano passado.
Nesta semana, uma nova troca de comando na Sufotur foi anunciada. A superintendência está agora sob o comando de Gustavo Stelitano Lira Gonçalves, que era assistente especial do Quadro Especial da Casa Civil, lotado no gabinete do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Stelitano ocupará o lugar de Ângela Fucs, que estava como superintendente desde a saída de Medrado.
A reportagem entrou em contato com a Sufotur, solicitando posicionamento sobre as denúncias de calote, na terça-feira (9), dia em que a nomeação do novo superintendente foi anunciada. Por conta da mudança, a pasta pediu mais tempo para responder sobre o caso, o que não foi feito até a noite de quarta-feira (10). O espaço segue aberto para a manifestação do órgão.
